A saúde dos rins costuma receber atenção apenas quando surgem sintomas. No entanto, as doenças renais frequentemente evoluem de forma silenciosa, especialmente em fases iniciais. Por esse motivo, o check-up renal tem papel relevante na identificação precoce de alterações da função renal, principalmente em pessoas com fatores de risco.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a Doença Renal Crônica é considerada um problema de saúde pública, e o diagnóstico precoce permite melhor acompanhamento e redução de complicações ao longo do tempo.
Fonte: https://sbn.org.br/publico/doencas-renais/
As diretrizes internacionais da KDIGO também reforçam a importância da avaliação periódica da função renal em grupos específicos, mesmo na ausência de sintomas.
Fonte: https://kdigo.org/guidelines/ckd-evaluation-and-management/
O que é o check-up renal
O check-up renal consiste na avaliação da função dos rins por meio de exames laboratoriais simples e, quando necessário, exames de imagem. Ele não tem caráter diagnóstico isolado, mas auxilia na identificação de alterações que podem justificar acompanhamento especializado.
Segundo a KDIGO, a avaliação da saúde renal deve considerar dois pilares principais:
- a taxa de filtração glomerular (TFG)
- a presença de albuminúria
Esses parâmetros permitem classificar o risco renal e orientar o seguimento clínico.
Quem se beneficia do check-up renal
A SBN destaca maior relevância do rastreamento renal em pessoas que apresentam:
- diabetes mellitus
- hipertensão arterial
- idade acima de 60 anos
- histórico familiar de doença renal
- doenças cardiovasculares
- uso frequente de medicamentos potencialmente nefrotóxicos
Nesses grupos, alterações laboratoriais podem surgir antes de qualquer manifestação clínica perceptível.
Principais exames utilizados no check-up renal
Conforme recomendações da SBN e da KDIGO, os exames mais utilizados são:
Creatinina sérica e estimativa da TFG
A creatinina é usada para estimar a taxa de filtração glomerular, indicador da função renal global.
Exame de urina tipo 1 (EAS)
Permite identificar alterações como presença de proteína, sangue ou sinais inflamatórios.
Relação albumina/creatinina (RAC)
Exame recomendado pela KDIGO para detectar perda de albumina na urina, um dos marcadores mais precoces de lesão renal.
Exames de imagem
A ultrassonografia renal pode ser solicitada em situações específicas, para avaliação estrutural dos rins e vias urinárias.
Esses exames devem ser interpretados em conjunto, considerando idade, condições clínicas e histórico do paciente.
Check-up renal no envelhecimento
A SBN ressalta que a função renal pode diminuir gradualmente com o envelhecimento. Por isso, em pessoas idosas, é importante diferenciar alterações esperadas da idade de doença renal crônica propriamente dita.
As diretrizes KDIGO orientam que a interpretação da TFG no idoso deve levar em conta o contexto clínico, evitando diagnósticos precipitados baseados em um único exame.
A importância do acompanhamento especializado
O Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que informações médicas devem ter caráter educativo e que decisões clínicas dependem de avaliação individualizada. Assim, alterações no check-up renal não significam, por si só, diagnóstico definitivo, mas indicam a necessidade de acompanhamento adequado.
O nefrologista é o profissional capacitado para interpretar esses exames dentro de um contexto clínico completo, definindo a necessidade de seguimento e monitoramento.
Conclusão
O check-up renal é uma ferramenta importante para a identificação precoce de alterações na função dos rins, especialmente em pessoas com fatores de risco ou em fases mais avançadas da vida. A avaliação periódica, baseada em exames simples e diretrizes reconhecidas, contribui para um cuidado mais seguro e consciente da saúde renal.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. O check-up renal é indicado apenas para quem tem sintomas?
Não. As diretrizes da SBN e da KDIGO indicam que muitas doenças renais são assintomáticas nas fases iniciais, o que torna o rastreamento relevante em grupos de risco.
2. Um exame alterado já significa doença renal?
Não necessariamente. A KDIGO recomenda que alterações sejam confirmadas e interpretadas ao longo do tempo e dentro do contexto clínico.
3. Com que frequência o check-up renal deve ser feito?
A periodicidade depende de fatores individuais como idade, presença de comorbidades e histórico clínico. Não há uma frequência única válida para todas as pessoas.
4. O check-up renal substitui a consulta médica?
Não. Os exames auxiliam na avaliação, mas a interpretação e o acompanhamento devem ser feitos por profissional habilitado, conforme orientações do CFM.


