A acidose metabólica é uma alteração frequente em pacientes com doença renal crônica e costuma surgir de forma progressiva e silenciosa. Ela ocorre quando os rins perdem a capacidade de excretar adequadamente os ácidos produzidos pelo metabolismo diário ou de manter o equilíbrio do bicarbonato no organismo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a acidose metabólica é uma complicação comum da doença renal crônica, especialmente em estágios mais avançados, e está associada a diversas repercussões sistêmicas.
Fonte: https://sbn.org.br/publico/doencas-renais/
As diretrizes do KDIGO reconhecem a acidose metabólica como um distúrbio relevante no acompanhamento do paciente renal, recomendando sua avaliação regular como parte do cuidado global da doença renal crônica.
Fonte: https://kdigo.org/guidelines/
Como os rins participam do equilíbrio ácido-base.
O organismo produz ácidos continuamente como resultado do metabolismo das proteínas e de outros nutrientes. Em condições normais, os rins exercem papel fundamental nesse equilíbrio ao:
- excretar ácidos na urina
- regenerar bicarbonato, que atua como principal tampão do sangue
Quando a função renal diminui, mesmo que de forma gradual, esses mecanismos tornam-se menos eficientes, favorecendo o acúmulo de ácidos no organismo.
A SBN destaca que esse processo pode se iniciar ainda em fases intermediárias da doença renal crônica, muitas vezes sem sintomas evidentes.
Por que a acidose metabólica é comum na doença renal crônica?
De acordo com O KDIGO, a redução da taxa de filtração glomerular está diretamente relacionada à diminuição da capacidade renal de manter o equilíbrio ácido-base. À medida que a função renal cai, aumenta o risco de queda dos níveis séricos de bicarbonato.
Além disso, fatores como dieta, inflamação crônica e alterações hormonais podem contribuir para o desenvolvimento da acidose metabólica em pacientes renais.
Possíveis impactos da acidose metabólica no organismo.
A acidose metabólica não afeta apenas o sangue. A SBN descreve associações entre esse distúrbio e:
- perda de massa muscular
- alterações ósseas
- piora do estado nutricional
- progressão mais rápida da doença renal crônica
O KDIGO ressalta que esses efeitos costumam ser graduais e cumulativos, reforçando a importância do acompanhamento laboratorial ao longo do tempo.
Avaliação da acidose metabólica no acompanhamento renal.
A avaliação da acidose metabólica é feita principalmente por meio da dosagem do bicarbonato sérico, geralmente incluída em exames bioquímicos de rotina.
Segundo O KDIGO, a interpretação desse exame deve sempre considerar o estágio da doença renal, a presença de outras comorbidades e o contexto clínico geral, evitando conclusões isoladas baseadas em um único resultado.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que a comunicação de informações médicas deve ter caráter educativo, e que decisões clínicas dependem de avaliação individualizada e presencial.
Acidose metabólica e progressão da doença renal.
Estudos citados em documentos técnicos da SBN e em diretrizes do KDIGO indicam que a acidose metabólica está associada à progressão mais rápida da doença renal crônica. Essa relação é interpretada como parte de um conjunto de alterações metabólicas que acompanham a perda progressiva da função renal.
Por esse motivo, a identificação e o monitoramento da acidose fazem parte do cuidado longitudinal do paciente renal.
Conclusão
A acidose metabólica é uma complicação frequente e muitas vezes silenciosa da doença renal crônica. Sua presença reflete a perda da capacidade dos rins de manter o equilíbrio ácido-base e pode estar associada a repercussões musculares, ósseas e à progressão da própria doença renal. O acompanhamento adequado, baseado em exames laboratoriais e diretrizes reconhecidas, é fundamental para uma avaliação completa da saúde renal.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Toda pessoa com doença renal crônica desenvolve acidose metabólica?
Não. Ela é mais comum em estágios mais avançados, mas pode surgir em fases intermediárias da doença.
2. A acidose metabólica costuma causar sintomas?
Na maioria das vezes, não. Por isso, é considerada uma complicação silenciosa e identificada por exames laboratoriais.
3. A acidose metabólica pode acelerar a doença renal?
Segundo O KDIGO, há associação entre acidose metabólica e progressão mais rápida da doença renal crônica.
4. A avaliação da acidose faz parte do acompanhamento nefrológico?
Sim. A SBN e O KDIGO recomendam o monitoramento do equilíbrio ácido-base no seguimento do paciente renal.
Referências
- Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)
https://sbn.org.br/publico/doencas-renais/ - O KDIGO – Kidney Disease: Improving Global Outcomes
https://kdigo.org/guidelines/ - Conselho Federal de Medicina (CFM) – Normas éticas para comunicação médica
https://portal.cfm.org.br/
Dr. Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363


