A pressão arterial não permanece constante ao longo do dia. Durante o sono, ocorre normalmente uma redução fisiológica da pressão arterial, fenômeno conhecido como “dipping” noturno. Quando essa redução não acontece adequadamente — ou quando a pressão permanece elevada durante a noite — pode existir associação com maior risco cardiovascular e renal.
Nos últimos anos, estudos têm demonstrado que a hipertensão noturna possui relação importante com progressão da doença renal crônica (DRC), albuminúria e maior risco cardiovascular.
As diretrizes do KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) reconhecem a hipertensão arterial como um dos principais fatores associados à progressão da DRC e reforçam a importância do controle pressórico na proteção renal.
O que é hipertensão noturna
A hipertensão noturna ocorre quando os níveis pressóricos permanecem elevados durante o período de sono.
Em condições fisiológicas, espera-se uma redução da pressão arterial de aproximadamente 10% a 20% durante a noite. Quando essa queda não ocorre, o paciente pode apresentar padrões como:
• non-dipper
• reverse dipper
• hipertensão noturna isolada
Esses padrões são avaliados principalmente por meio da monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA).
Relação com doença renal crônica
A hipertensão noturna está frequentemente associada à doença renal crônica.
Diversos mecanismos podem contribuir para essa relação:
• retenção de sódio
• expansão volêmica
• ativação do sistema renina-angiotensina
• disfunção autonômica
• alterações vasculares
• inflamação crônica
Pacientes com DRC apresentam maior prevalência de ausência da queda fisiológica da pressão durante o sono.
Albuminúria e pressão noturna
Estudos observacionais mostram associação entre hipertensão noturna e aumento da albuminúria.
A albuminúria reflete alteração da permeabilidade glomerular e é considerada pelas diretrizes do KDIGO um dos principais marcadores prognósticos da DRC.
A coexistência entre albuminúria e hipertensão noturna está associada a maior risco cardiovascular e renal, incluindo maior frequência de dano de órgão-alvo.
Importância da MAPA
A MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) permite avaliação do comportamento da pressão ao longo de 24 horas, incluindo o período do sono.
Esse exame pode identificar:
• hipertensão mascarada
• ausência de dipping noturno
• hipertensão noturna isolada
• variabilidade pressórica
A avaliação desses padrões contribui para melhor compreensão do perfil cardiovascular e renal do paciente.
Uma visão integrada entre rim e sistema cardiovascular
A hipertensão noturna reforça o conceito de interação entre rins, vasos sanguíneos e sistema cardiovascular.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a DRC deve ser entendida como uma condição sistêmica, frequentemente associada a alterações hemodinâmicas e metabólicas complexas.
Conclusão
A hipertensão noturna representa um importante marcador clínico associado ao risco cardiovascular e à progressão da doença renal crônica. A ausência da queda fisiológica da pressão durante o sono pode refletir alterações hemodinâmicas e metabólicas relevantes.
A avaliação individualizada do perfil pressórico, incluindo o período noturno, contribui para uma compreensão mais ampla da saúde cardiovascular e renal.
FAQ – Perguntas Frequentes
1- O que é hipertensão noturna?
É a elevação da pressão arterial durante o período do sono.
2- Como identificar hipertensão noturna?
Principalmente por meio da MAPA de 24 horas.
3- Hipertensão noturna tem relação com doença renal?
Sim. Está associada à progressão da DRC e albuminúria.
4- A pressão deveria cair durante o sono?
Sim. Existe normalmente uma redução fisiológica noturna.
Referências
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Blood Pressure in Chronic Kidney Disease.
Kidney International. 2021.
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline Update.
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Materiais técnicos sobre hipertensão e doença renal crônica.
Conselho Federal de Medicina (CFM).
Resolução CFM nº 2.336/2023 – Publicidade médica.
Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363


