O ácido úrico é um produto final do metabolismo das purinas e sua eliminação ocorre principalmente pelos rins. Alterações nos níveis séricos de ácido úrico podem estar associadas a diferentes condições clínicas, incluindo doenças metabólicas e renais.
Embora seja amplamente conhecido por sua relação com a gota, o ácido úrico também tem sido estudado no contexto da doença renal crônica (DRC) e do risco cardiovascular.
As diretrizes do KDIGO reconhecem que fatores metabólicos estão associados à progressão da doença renal, embora a relação com o ácido úrico seja considerada complexa e multifatorial.
Como o ácido úrico se relaciona com os rins
Os rins são responsáveis por grande parte da excreção do ácido úrico. Alterações na função renal podem levar ao aumento de seus níveis no sangue.
Por outro lado, níveis elevados de ácido úrico têm sido associados a alterações como:
• mudanças hemodinâmicas renais
• inflamação de baixo grau
• disfunção endotelial
Esses mecanismos vêm sendo estudados como possíveis mediadores de alterações renais e cardiovasculares, embora não estabeleçam relação causal isolada.
Hiperuricemia e doença renal
A hiperuricemia (elevação do ácido úrico no sangue) é frequentemente observada em pacientes com doença renal crônica.
Essa associação pode ocorrer por:
• redução da excreção renal
• presença de comorbidades metabólicas
• alterações no metabolismo das purinas
Na prática clínica, a elevação do ácido úrico é frequentemente consequência da redução da função renal, embora sua participação na progressão da DRC ainda seja considerada multifatorial.
Relação com risco cardiovascular
Níveis elevados de ácido úrico têm sido associados, em estudos observacionais, a maior risco cardiovascular.
Esse fenômeno pode estar relacionado a:
• inflamação sistêmica
• disfunção vascular
• associação com síndrome metabólica
No entanto, o KDIGO ressalta que essas associações não implicam causalidade direta, devendo ser interpretadas dentro do contexto clínico global.
Avaliação clínica
A dosagem do ácido úrico é um exame simples, mas sua interpretação deve considerar o contexto clínico do paciente.
A análise isolada do valor laboratorial pode não refletir o significado clínico real, sendo necessária avaliação integrada com outros fatores metabólicos e renais.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia destaca que alterações metabólicas frequentemente coexistem na doença renal crônica.
Conclusão
O ácido úrico está relacionado ao funcionamento renal e a alterações metabólicas mais amplas. Sua elevação pode refletir tanto redução da excreção renal quanto a presença de condições metabólicas associadas.
Embora sua associação com doença renal e risco cardiovascular seja bem documentada em estudos observacionais, sua interpretação clínica deve ser feita de forma individualizada.
A avaliação integrada dos fatores metabólicos, renais e cardiovasculares é fundamental para uma compreensão mais completa do quadro clínico.
FAQ – Perguntas Frequentes
1- Ácido úrico alto causa problema nos rins?
A relação é complexa e multifatorial, sendo ainda objeto de estudo.
2- Quem tem doença renal pode ter ácido úrico alto?
Sim. A redução da função renal pode aumentar seus níveis.
3- Ácido úrico está relacionado apenas à gota?
Não. Também se associa a fatores metabólicos e cardiovasculares.
4- Precisa tratar ácido úrico alto sempre?
Depende da avaliação clínica individual.
Referências
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease.
Kidney International Supplements. 2013.
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline Update.
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Materiais institucionais sobre metabolismo e doença renal.
Conselho Federal de Medicina (CFM).
Resolução CFM nº 2.336/2023 – Publicidade médica.
Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363


