Albuminúria: um marcador importante da saúde renal

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Albuminúria: um marcador importante da saúde renal

A albuminúria refere-se ao aumento da excreção de albumina na urina. A albumina é uma proteína produzida pelo fígado que circula no sangue e, em condições normais, é filtrada em pequenas quantidades pelos glomérulos e posteriormente reabsorvida nos túbulos renais.

Alterações nesses mecanismos, seja na barreira de filtração glomerular ou na capacidade de reabsorção tubular, podem levar ao aumento da eliminação de albumina na urina.

A avaliação da albuminúria é considerada uma ferramenta importante na identificação de alterações na função renal e na estratificação de risco da doença renal crônica (DRC).

As diretrizes do KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) recomendam que a avaliação da DRC inclua tanto a estimativa da taxa de filtração glomerular quanto a análise da albuminúria, uma vez que esses parâmetros fornecem informações complementares sobre a função e a estrutura renal.

Como ocorre a albuminúria

Os rins possuem estruturas chamadas glomérulos, responsáveis pela filtração do sangue.

A barreira de filtração glomerular é composta por endotélio, membrana basal e podócitos, que atuam de forma seletiva, restringindo a passagem de proteínas.

Quando há alteração estrutural ou funcional dessa barreira, como em condições metabólicas ou vasculares, ocorre aumento da permeabilidade, permitindo maior passagem de albumina para a urina.

Além disso, alterações na reabsorção tubular também podem contribuir para o aumento da excreção de albumina.

Classificação da albuminúria

De acordo com o KDIGO, a albuminúria é classificada com base na relação albumina/creatinina urinária:

• A1: menor que 30 mg/g (normal ou levemente aumentada)
• A2: entre 30 e 300 mg/g (moderadamente aumentada)
• A3: maior que 300 mg/g (severamente aumentada)

Essa classificação é utilizada em conjunto com a taxa de filtração glomerular para estratificação de risco da doença renal crônica e definição de prognóstico.

Albuminúria como marcador precoce

A albuminúria pode representar um dos primeiros sinais detectáveis de lesão renal, muitas vezes precedendo alterações na taxa de filtração glomerular.

Esse achado é especialmente relevante em pacientes com fatores de risco como diabetes e hipertensão arterial.

Além do papel na doença renal, a presença de albuminúria está associada a maior risco cardiovascular, sendo considerada um marcador de disfunção endotelial e risco sistêmico.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia destaca que a avaliação da albuminúria é parte fundamental da investigação e do acompanhamento da doença renal crônica.

Avaliação laboratorial

A forma mais utilizada de avaliar a albuminúria na prática clínica é por meio da relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina.

Esse método permite estimar a excreção de albumina de forma prática e padronizada.

Para caracterização de alteração persistente, recomenda-se a confirmação em pelo menos duas amostras, em intervalo de tempo adequado, uma vez que elevações transitórias podem ocorrer em situações como exercício físico intenso, infecções ou estados inflamatórios.

Conclusão

A albuminúria é um marcador central na avaliação da saúde renal. Sua presença pode indicar lesão precoce da estrutura renal, mesmo na ausência de alterações na creatinina sérica.

Além disso, está associada ao risco de progressão da doença renal crônica e ao aumento do risco cardiovascular, reforçando seu papel como marcador sistêmico.

A análise integrada da taxa de filtração glomerular e da albuminúria representa o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais para avaliação e estratificação de risco na DRC.

Referências

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney International Supplements. 2013.

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease.

Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Materiais institucionais e documentos técnicos sobre Doença Renal Crônica.

Conselho Federal de Medicina (CFM).
Resolução CFM nº 2.336/2023 – Publicidade e propaganda médicas.

Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363