Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) estão entre os medicamentos mais utilizados na prática clínica para alívio de dor e inflamação. Apesar de amplamente disponíveis, esses medicamentos podem impactar a função renal, especialmente em determinados contextos clínicos.
As diretrizes do KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) reconhecem que fármacos potencialmente nefrotóxicos podem contribuir para alterações na função renal, principalmente em pacientes com fatores de risco.
Como os anti-inflamatórios atuam nos rins
Os AINEs atuam inibindo a enzima ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas.
Nos rins, as prostaglandinas têm papel importante na manutenção da perfusão renal, especialmente em situações de estresse hemodinâmico.
A inibição dessas substâncias pode levar à vasoconstrição da arteríola aferente, reduzindo o fluxo sanguíneo glomerular e a taxa de filtração.
Esse mecanismo pode resultar em alteração da função renal, particularmente em indivíduos com reserva funcional reduzida.
Quem pode ter maior sensibilidade aos AINEs
Alguns grupos apresentam maior risco de alterações renais associadas ao uso de anti-inflamatórios:
• pacientes com doença renal crônica
• idosos
• pessoas com desidratação
• pacientes com insuficiência cardíaca
• uso concomitante de diuréticos e inibidores do sistema renina-angiotensina
Nesses contextos, a função renal pode depender mais intensamente das prostaglandinas para manutenção da perfusão.
Alterações possíveis na função renal
O uso de AINEs pode estar associado a diferentes alterações renais, incluindo:
• redução da taxa de filtração glomerular
• retenção de sódio e água
• elevação da pressão arterial
• lesão renal aguda de origem hemodinâmica
Em situações menos frequentes, pode ocorrer nefrite intersticial aguda, um processo inflamatório que também pode afetar a função renal.
A intensidade dessas alterações varia conforme o contexto clínico e as características individuais do paciente.
Uso racional e contexto clínico
O uso de AINEs deve sempre considerar a avaliação individualizada, especialmente em pacientes com fatores de risco para doença renal.
A análise do risco-benefício é fundamental, levando em conta condições clínicas associadas, uso de outros medicamentos e estado de hidratação.
O Conselho Federal de Medicina orienta que decisões clínicas devem ser baseadas em avaliação médica adequada e individualizada.
Conclusão
Os anti-inflamatórios não esteroides são amplamente utilizados, mas podem impactar a função renal, principalmente em pacientes com maior vulnerabilidade.
A compreensão de seus mecanismos de ação e dos fatores de risco associados permite uma avaliação mais cuidadosa do seu uso, contribuindo para a preservação da função renal e para a segurança no manejo clínico.
FAQ – Perguntas Frequentes
Anti-inflamatórios podem afetar os rins?
Sim, especialmente em pacientes com fatores de risco ou em situações de instabilidade hemodinâmica.
Quem deve ter mais atenção ao uso desses medicamentos?
Pacientes com doença renal, idosos, pessoas desidratadas ou em uso de determinados medicamentos.
O uso ocasional causa problema renal?
Depende do contexto clínico individual e da presença de fatores de risco.
É necessário avaliar a função renal?
Em pacientes com maior risco, a avaliação pode ser importante para acompanhamento seguro.
Referências
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney International Supplements. 2013.
Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease.
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Materiais institucionais e documentos técnicos sobre Doença Renal Crônica.
Conselho Federal de Medicina (CFM).
Resolução CFM nº 2.336/2023 – Publicidade e propaganda médicas.
Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363


