Nefropatia por IgA: uma glomerulopatia que pode evoluir de forma silenciosa

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Nefropatia por IgA: uma glomerulopatia que pode evoluir de forma silenciosa

A Nefropatia por IgA, também conhecida como doença de Berger, é considerada a glomerulopatia primária mais frequente em diversas populações adultas. Caracteriza-se pelo depósito predominante de imunoglobulina A (IgA) nos glomérulos renais e apresenta evolução clínica bastante variável.

Em alguns pacientes, a doença manifesta-se apenas por alterações discretas no exame de urina. Em outros, pode estar associada à proteinúria persistente, hipertensão arterial e perda progressiva da função renal.

As diretrizes do KDIGO 2025 para Nefropatia por IgA (IgAN) e Vasculite por IgA (IgAV) reforçam a importância da estratificação de risco, da avaliação da proteinúria e do acompanhamento longitudinal desses pacientes.

O que é a Nefropatia por IgA

A Nefropatia por IgA é uma doença glomerular caracterizada pelo depósito predominante de imunoglobulina A no mesângio, uma região estrutural dos glomérulos.

Os glomérulos são responsáveis pela filtração do sangue. Quando há inflamação ou alterações estruturais nessas unidades, podem surgir manifestações como hematúria, proteinúria e redução da função renal.

A confirmação diagnóstica depende da biópsia renal, que permite identificar os depósitos de IgA e avaliar as alterações histológicas associadas.

Como a doença pode se manifestar

A apresentação clínica é heterogênea.

Entre as manifestações possíveis estão:

• hematúria microscópica

• episódios de urina avermelhada, especialmente após infecções das vias aéreas superiores

• proteinúria persistente

• hipertensão arterial

• redução progressiva da taxa de filtração glomerular

A ausência de sintomas evidentes não exclui a presença da doença, pois muitos casos são identificados inicialmente por alterações em exames laboratoriais.

Por que a proteinúria importa

A proteinúria é um dos principais marcadores prognósticos na Nefropatia por IgA.

As diretrizes do KDIGO reforçam que tanto a intensidade quanto a persistência da proteinúria apresentam forte associação com o risco de progressão da doença renal.

Por esse motivo, sua avaliação seriada constitui um dos pilares do acompanhamento clínico desses pacientes.

O papel da biópsia renal

A biópsia renal tem papel central no diagnóstico da Nefropatia por IgA.

Além de confirmar os depósitos de IgA, ela permite avaliar:

• presença de inflamação glomerular

• grau de fibrose

• lesões segmentares

• alterações tubulointersticiais

• outras características histológicas utilizadas na estratificação prognóstica

As alterações histológicas são atualmente descritas pela classificação Oxford MEST-C, amplamente utilizada para padronização da avaliação anatomopatológica da doença.

Essas informações ajudam a compreender tanto a atividade quanto a cronicidade da lesão renal e contribuem para a estimativa do risco de progressão.

Evolução variável

A Nefropatia por IgA não evolui da mesma forma em todos os pacientes.

Alguns apresentam curso estável por muitos anos. Outros podem evoluir com perda progressiva da função renal, especialmente quando há proteinúria persistente, hipertensão arterial ou alterações histológicas desfavoráveis.

Além disso, a velocidade de progressão pode variar ao longo do acompanhamento, reforçando a importância da reavaliação periódica.

Visão atual do KDIGO

O KDIGO 2025 propõe uma abordagem baseada na estratificação de risco, integrando informações clínicas, laboratoriais e histológicas.

Essa visão reforça que a Nefropatia por IgA deve ser compreendida como uma doença de evolução heterogênea, exigindo monitoramento longitudinal e interpretação integrada de múltiplos parâmetros.

O Conselho Federal de Medicina orienta que informações médicas tenham caráter educativo e não substituam a avaliação clínica individualizada.

Conclusão

A Nefropatia por IgA é uma glomerulopatia frequente, porém de comportamento bastante variável. Sua apresentação pode ir desde alterações urinárias discretas até quadros com maior risco de progressão da doença renal.

A avaliação da proteinúria, da função renal e dos achados histológicos é fundamental para compreender o risco individual. As diretrizes do KDIGO 2025 reforçam a importância de uma abordagem estruturada, longitudinal e baseada em estratificação de risco.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Nefropatia por IgA sempre causa sintomas?

Não. Muitos pacientes são diagnosticados apenas por alterações no exame de urina, sem sintomas evidentes.

2. Como a Nefropatia por IgA é confirmada?

A confirmação diagnóstica é feita por meio da biópsia renal, que identifica os depósitos de IgA nos glomérulos.

3. Por que a proteinúria é tão importante nessa doença?

Porque sua intensidade e persistência estão entre os principais fatores associados ao risco de progressão da doença renal.

4. Todo paciente com Nefropatia por IgA evolui para insuficiência renal?

Não. A evolução é bastante variável e depende de fatores clínicos, laboratoriais e histológicos.

Referências

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2025 Clinical Practice Guideline for the Management of Immunoglobulin A Nephropathy (IgAN) and Immunoglobulin A Vasculitis (IgAV). Kidney International. 2025;108(Suppl 4).

Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO).
KDIGO 2025 Clinical Practice Guideline for the Management of Immunoglobulin A Nephropathy (IgAN) and Immunoglobulin A Vasculitis (IgAV): Executive Summary.

Jornal Brasileiro de Nefrologia.
Tratamento da Nefropatia por IgA.

Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Materiais institucionais sobre glomerulopatias e doença renal.

Conselho Federal de Medicina (CFM).
Resolução CFM nº 2.336/2023 – Publicidade e propaganda médicas.

Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363