Quando se fala em oxalato nos rins, é comum pensar em cálculos renais de oxalato de cálcio. Porém, existe outra situação menos conhecida: a nefropatia por oxalato.
Nessa condição, cristais de oxalato de cálcio se depositam no tecido renal, especialmente nos túbulos, podendo causar toxicidade tubular, obstrução microscópica, inflamação intersticial e fibrose.
A nefropatia por oxalato pode se manifestar como injúria renal aguda, piora aguda da função renal em quem já apresenta doença renal crônica ou comprometimento renal progressivo.
O que é o oxalato
O oxalato é uma substância produzida pelo metabolismo do próprio organismo e também pode ser obtida por meio da alimentação.
Em condições habituais, parte do oxalato é eliminada pelos rins.
Quando existe produção endógena excessiva, aumento da absorção intestinal ou outras alterações no metabolismo do oxalato, pode ocorrer hiperoxalúria, ou seja, aumento da eliminação urinária de oxalato.
Além disso, quando a função renal está muito reduzida, a capacidade de eliminar oxalato também pode ser comprometida, favorecendo seu acúmulo no organismo.
Quando os cristais deixam de ser apenas uma pedra
Na nefrolitíase, cristais podem se agregar e formar cálculos no sistema urinário.
Na nefropatia por oxalato, o problema envolve a deposição de cristais no próprio tecido renal.
Esses depósitos podem estar associados a:
• lesão tubular
• inflamação intersticial
• obstrução microscópica
• atrofia tubular
• fibrose renal
Revisões sobre o tema mostram que a deposição de oxalato pode estar associada a comprometimento renal significativo, embora a evolução dependa da causa, da intensidade e da duração da exposição.
Existem diferentes causas de hiperoxalúria
A hiperoxalúria pode ser primária, relacionada a doenças genéticas raras que provocam produção endógena excessiva de oxalato.
Também pode ser secundária. Uma situação importante é a hiperoxalúria entérica, na qual determinadas condições gastrointestinais aumentam a absorção intestinal de oxalato.
Doenças associadas à má absorção de gorduras e determinadas cirurgias gastrointestinais podem favorecer esse mecanismo.
Outras exposições e alterações metabólicas também podem participar do aumento da carga de oxalato.
Alimentação é a única responsável?
Não.
Embora a ingestão excessiva de alimentos ou substâncias com grande carga de oxalato possa participar de determinados casos, a nefropatia por oxalato é mais complexa.
Condições intestinais, alterações metabólicas, doenças genéticas e diferentes exposições podem contribuir para o desenvolvimento do quadro.
Por isso, identificar cristais de oxalato não significa automaticamente concluir que a alimentação seja a causa. O histórico clínico, gastrointestinal, alimentar e medicamentoso, além da função renal, ajuda a direcionar a investigação.
O papel da biópsia renal
Em alguns pacientes, o diagnóstico é identificado por meio de biópsia renal.
Os cristais de oxalato apresentam características específicas quando examinados sob luz polarizada.
Além dos depósitos, a análise pode revelar lesão tubular, inflamação intersticial, atrofia tubular e grau de fibrose.
A biópsia, entretanto, não é necessária em todas as situações. Sua indicação depende do contexto clínico e da necessidade de esclarecer a causa da disfunção renal.
Nefrocalcinose e nefropatia por oxalato são iguais?
Não.
A nefrocalcinose é um termo relacionado à deposição de sais de cálcio no parênquima renal e pode ocorrer por diferentes mecanismos.
Na nefropatia por oxalato, existe especificamente deposição de cristais de oxalato de cálcio no tecido renal associada a lesão.
As duas condições podem estar relacionadas em determinados pacientes, mas não são conceitos equivalentes.
Conclusão
A nefropatia por oxalato mostra que cristais renais não estão relacionados apenas à formação de pedras.
Quando cristais de oxalato de cálcio se depositam no tecido renal, podem ocorrer toxicidade e lesão tubular, inflamação, obstrução microscópica e fibrose, com repercussão sobre a função renal.
Identificar o mecanismo responsável pelo excesso ou acúmulo de oxalato é fundamental para compreender a origem do problema. Por isso, a investigação precisa considerar causas genéticas, gastrointestinais, metabólicas, alimentares e outras exposições pertinentes ao caso.
FAQ – Perguntas Frequentes
1- Nefropatia por oxalato é a mesma coisa que cálculo renal?
Não. Os dois quadros podem envolver oxalato de cálcio, mas a nefropatia envolve deposição de cristais no tecido renal associada a lesão.
2- Problemas intestinais podem afetar os níveis de oxalato?
Sim. Algumas condições de má absorção podem aumentar a absorção intestinal de oxalato e favorecer hiperoxalúria.
3- A doença pode afetar a função renal?
Sim. Pode estar associada a injúria renal aguda, piora aguda de doença renal preexistente ou doença renal crônica.
4- A biópsia renal pode identificar os cristais?
Sim. Em determinados casos, os depósitos de oxalato podem ser demonstrados na análise histológica.
Referências
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Dr Fabiano Bichuette Custodio
CRM MG 46712
RQE 31363


